Diretoria da Aurora nega boato de venda

A diretoria da Coopercentral Aurora, de Chapecó, negou nesta segunda-feira que estaria negociando a venda da organização para o Frigorífico Minerva, de Barretos, SP, terceiro maior do país no segmento de bovinos e que pretende ingressar nos segmentos de frango e suíno.

A informação da venda foi veiculada na imprensa em São Paulo e pegou cooperativistas do Oeste de Santa Catarina de surpresa. Nesta segunda-feira, a Aurora encaminhou nota negando a negociação.

— A Coopercentral Aurora não iniciou nem pretende iniciar contatos com qualquer grupo econômico visando transação dessa natureza — informa na nota.

Por outro lado, o presidente do grupo, Mário Lanznaster, admitiu ao jornal Brasil Econômico que o Minerva tem intenção de adquirir a Aurora:

— Minerva está nos namorando, mas somos uma noiva difícil.

Maior que o Minerva, a Aurora encerrou o ano passado com faturamento de R$ 2,67 bilhões, crescimento de 19,66% frente ao ano anterior, e resultado negativo de R$ 111,7 milhões.

Venda não pode ocorrer sem autorização dos associados

Com 40 anos de atividades, a Coopercentral Aurora é integrada por 17 cooperativas singulares. Isso constitui cerca de 70 mil famílias rurais associadas.

Conforme o superintendente da Organização das Cooperativas de SC (Ocesc), Geci Pungan, para a Coopercentral Aurora ser vendida, teria que haver aprovação de dois terços dos 71 mil associados em assembléias extraordinárias.

Além disso, a venda também deveria ser aprovada pela própria coopercentral, em assembléia extraordinária. Pungan observou que, no Brasil e em Santa Catarina, não há registros importantes de vendas de cooperativas para empresas.

Em todos os casos conhecidos, houve troca de gestão, mas o sistema cooperativo continuou. No Planalto Norte catarinense, por exemplo, as instalações da Coopercanoinhas, que faliu com elevado endividamento, foram arrendadas pela Cooperalfa, de Chapecó.

Crise

Recentemente, a Organização das Cooperativas de SC (Ocesc) admitiu negociação da Aurora com quatro cooperativas paranaenses que industrializam carnes para unir as operações de vendas ao Brasil e exterior.

Segundo fontes do mercado, a Aurora, a exemplo de várias empresas, teve perdas com derivativos cambiais no ano passado. Também enfrentou dificuldades de crédito durante a crise, problema que já teria sido superado.

As cooperativas singulares são propriedades dos seus associados e regidas por lei própria, em um sistema considerado socialista até defendido pela ganhadora do Nobel de Economia Elinor Ostrom.

As cooperativas centrais, a exemplo da Aurora, são denominadas cooperativas de 2º grau, também com legislação própria. As vantagens que elas têm frente às empresas comuns é que são isentas de Imposto de Renda Pessoa Jurídica nas operações com seus associados.

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